
Apesar do protagonismo global da Inteligência Artificial (IA) nas estratégias de negócios, o mercado brasileiro ainda avança de forma tímida no uso estratégico da tecnologia. De acordo com o estudo Panorama de Marketing e Vendas 2025, da RD Station, apenas 36% das empresas no Brasil utilizam IA de maneira avançada em suas operações comerciais e de marketing.
A pesquisa indica que a maioria das companhias ainda está nos estágios iniciais. Enquanto 58% afirmam usar IA no dia a dia, metade desse grupo realiza aplicações básicas, sem explorar o potencial analítico ou estratégico da ferramenta. O dado revela uma desconexão entre o entusiasmo pelo tema e a maturidade real da aplicação.
Essa lacuna abre uma janela significativa de oportunidade. Em mercados onde a IA já é utilizada para automação preditiva, análise de comportamento e planejamento de campanhas, o Brasil ainda se concentra em usos mais operacionais, como a geração de conteúdo e a automação de tarefas simples.
Empresas reconhecem valor, mas hesitam na adoção
O estudo aponta que 44% das empresas enxergam a IA como um diferencial, mas não como fator essencial na contratação de ferramentas. Em paralelo, 34% só contratam soluções que já integrem a tecnologia. Ainda assim, muitas companhias permanecem em um estágio básico de aplicação, satisfeitas com resultados limitados — o que pode comprometer a competitividade a médio prazo.
A adoção mais ampla da IA ainda esbarra em fatores como desconhecimento técnico, ausência de cultura orientada por dados e falta de profissionais qualificados. Mesmo assim, há sinais de evolução: os indicadores cresceram em relação ao ano anterior, o que mostra um movimento de amadurecimento do mercado.
Especialistas do setor reforçam que a barreira não é mais tecnológica, mas estratégica. As ferramentas estão disponíveis e acessíveis. O desafio é estruturar processos, treinar equipes e revisar modelos de decisão para incorporar a IA como ativo de inteligência e não apenas como recurso operacional.
Aplicações mais comuns ainda são operacionais
A pesquisa detalha os principais usos atuais da IA nas empresas. No marketing, a criação de conteúdo lidera (78%), seguida pelo planejamento de campanhas (60%). Em vendas, 57% usam IA para geração de conteúdo e 48% para planejamento. Contudo, atividades que exigem maior análise e interpretação de dados — como elaboração de relatórios e insights estratégicos — ainda têm baixa adesão: 37% no marketing e 34% em vendas.
Esse retrato reforça que a IA está sendo usada mais como ferramenta de execução do que de inteligência. Em um cenário de transformação digital acelerada, empresas que limitam seu uso à automação básica deixam de capturar ganhos relevantes em eficiência, personalização e previsibilidade.
A subutilização da IA na análise de dados também indica um gargalo cultural. A tecnologia é capaz de gerar vantagem competitiva, mas depende de estrutura, visão estratégica e capacidade de interpretação para ser efetivamente integrada ao processo decisório.
Nível de maturidade segue em transição
Outro levantamento recente da Totvs, Panorama IA nas Empresas Brasileiras, confirma o cenário de baixa maturidade. Segundo o estudo, metade das empresas ainda não utiliza IA de forma estruturada. Entre as que já adotam, 58% estão nos estágios iniciais, 34% em nível intermediário e apenas 8% se consideram avançadas.
Essa distribuição mostra que, embora a tecnologia esteja amplamente disponível, a adoção estruturada ainda é restrita. No contexto de marketing e vendas — áreas com alto potencial de personalização e eficiência via IA — esse atraso pode significar perda de relevância frente a players mais ágeis.
O amadurecimento do uso da IA no Brasil exigirá mudanças de mentalidade, investimento em capacitação e reformulação dos processos comerciais. O caminho está aberto, e quem sair na frente tende a colher resultados mais consistentes em reputação, performance e fidelização.